segunda-feira, 28 de maio de 2012

100 páginas nem canetas

        Daqui, vejo apenas o quadrado mágico que me transporta para o mundo, frente a uma parede branca, mal feita é verdade, mas que roubou 5 minutos do meu pensamento. O som que não se pode separar do que é e de onde vem, me leva a pensar que as pessoas que aqui deveriam ficar em silêncio, falam muito. Alguém me interrompe pedindo para que eu sirva de testemunha. O computador ficou doido, disse ela. Dep...ois dessa frase muito conhecida entre todos, sim - porque o computador é sempre o problema e não nós – sigo dizendo que apesar do ar gelado sobre a minha cabeça, eu gosto de vir aqui. Algum tempo livre que preciso ficar em silêncio, para pensar no que ando fazendo, o que ando lendo e onde posso chegar.
        As perguntas que me são dirigidas às vezes, me incomodam. As pessoas querem saber demais, e acham que você é obrigada a responder o que elas querem ouvir. Esse tempo que fico aqui faço tudo, menos o que eu realmente deveria estar fazendo. Isso tudo é meio que um desabafo, sabe como é? Tanta coisa deveria mudar e tantos deveriam se permitir mudar... Mas quem sou eu afinal não é? A menina ao lado, que por sinal chama-se Viviane e é muito querida, divide comigo o ar gelado que vem de cima e o barulho do meu teclado. Escrevo rápido e sempre faço barulho. É mania, só escrevo assim, fazendo barulho, tec tec – espaço, tec tec, ponto final. Termino esse parágrafo dizendo que logo logo alguém vai chegar e me pedir para que eu feche todas as páginas da janela, enquanto isso eu e Viviane continuamos a dividir o mesmo som.
        Agora, inicio outro, apenas para contar que hoje o dia que começou “meia boca” está terminando de forma mais tranquila, depois de uma crise de nervos noturna, despertada por alguém que não tem muita noção das coisas da vida. Coisas do tipo, respeito! Me sinto pressionada e preciso desligar a janela para o mundo.
        Meu nome é Diana, tenho 26 anos e este não é o meu diário. Era apenas uma página em branco que agora registra um pouco mais do que penso e de como usei meu tempo e uma folha em branco virtual, para escrever mais uma página da minha história.

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