quarta-feira, 15 de maio de 2013

Um clique para todos

Através do decreto nº 7.462 de 19 de abril de 2011, o Ministério das Comunicações criou a Secretaria de Inclusão Digital (SID), com o objetivo executar as políticas públicas em relação à inclusão em todo o país através de ações, projetos e Centros de Recondicionamento de Computadores. Em parceria com alguns órgãos como governos estaduais, municipais e universidades, ela é também a responsável pelo Fórum de Inclusão Digital, que conta com palestras e participações de membros do governo, estudantes, pesquisadores e representantes de empresas nacionais e internacionais, para viabilizar e contextualizar os mais de 190 milhões de brasileiros com a rede mundial de computadores. 

A Secretaria criou ainda os Telecentros, espaços de acesso público gratuito com computadores conectados à internet e os projetos das Cidades Digitais, que visam levar internet à pontos públicos de acesso e possibilitam o acesso aos serviços do governo. Mas apesar dos serviços oferecidos à população, muitos são os brasileiros que se quer têm ou sabem ligar um computador. Quem comprova é o IBGE, que em um estudo realizado em parceria com a Fundação Getúlio Vargas em 2010, mostra o Brasil em 72º no ranking com apenas 51,25% da população incluída digitalmente, enquanto países como a Suécia - que aparecem nas primeiras posições - somam 95,8%. 

Para um maior alcance da inclusão digital no Brasil, devem ser levados em consideração outros fatores além de fibras óticas, banda-larga e questões de política de desenvolvimento mundial. Só com uma distribuição de renda justa, e uma educação de qualidade é impossível formar cidadãos instruídos para o mercado de trabalho e mesmo alunos capacitados para questões práticas e lógicas. Esses fatores são determinantes por exemplo, na hora de escolher um líder para representar a população, pois sem acesso ao conhecimento e a diferentes fontes para confrontar informações, fica difícil discernir quem entra e quem fica de fora. Mas quem se importa com isso, não é mesmo? 

Enquanto uns nunca viram um computador e outros aprendem a ligá-los em aulas semanais com o auxílio de monitores, a era digital vai sendo tomada por um clique de desinteresse e um download de desculpas de como arrastar um problema que começa antes de qualquer coisa, na escola. Isso sem falar nos que são excluídos digitalmente por outros fatores, como os cidadãos com algum tipo de deficiência. 

Universalizar a linguagem e buscar conhecimento em diferentes mundos, ainda pode significar uma caminhada a passos lentos para os milhões de brasileiros que ainda não se enquadram nos 51,25%, mas vamos pensar positivo, afinal, nós somos brasileiros e não desistimos nunca, não é? E esta não seria a primeira vez em que a desigualdade social gritaria aos ouvidos dos “classe A” dizendo: Nosso voto também decide eleição.



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