terça-feira, 16 de abril de 2013

Em um passado não tão distante

A evolução dos meios de comunicação nos últimos 100 anos, possibilitou um volume maior de informações e o aumento na velocidade das mesmas.
Criado no século XVIII, o telégrafo foi o principal sistema de comunicação à longa distância muito utilizado à partir do século XIX e XX. Seu principal e mais utilizado código, foi criado por Samuel Morse e por isso denominado, Código Morse. Muito utilizado por indústrias, governose forças armadas de diversos países em momento de guerra,o telégrafo foi substituído pela invenção de Graham Bell, o telefone, a partir de 1920. Ambos, sinônimos de evolução na trajetória da comunicação no país. Mais tarde, por volta de 1950 foi a vez da TV conquistar o espaço nos lares brasileiros e transformar-se no principal meio de comunicação. Depois de assumir a liderança por mais ou menos 40 anos, o sistema multimídia que nesse período evoluiu de duas para milhares de cores e pixels, deparou-se em 1992 com a internet, que até hoje conquista novos usuários por sua versatilidade e diversidade de conteúdo.

Seguindo a linha do tempo e da modernização dos meios, a internet que já é considerada o veículo do século segue aprimorando-se e torna-se a cada dia, mais necessária na vida de todos os brasileiros. Mas como entender que a tão pouco tempo, nada disso existia? Como viver sem telefone, rádio, Tv e internet? Essa experiência pôde ser vivida por muitos, que hoje transmitem à geração on-line, as histórias daquele tempo.

De aparência alegre e tranquila, Paulo Kitie Miyke, de 68 anos, nascido em Campinas-SP, pai de dois filhos e avô, conta como foi viver em um tempo onde a novela era apenas ouvida, a forma de mensagem mais segura era o telégrafo e como percebeu a evolução dos meios de comunicação através das novas gerações.

ParaPaulo, a evolução na comunicação trouxe benefícios, mas também, muitos prejuízos.

Qual era forma de comunicação mais utilizada com alguém distante que o senhor se recorda?
Ah! Foi o telégrafo. Antigamente a gente tinha que ir à estação. Lá era onde as pessoas iam quando precisam mandar alguma menssagem pra quem morava longe. Esse era o único meio da gente se comunicar à longa distância.Bem mais tarde foi que apareceu o telefone.

O rádio começou a existir por volta de 1923, mas foi a partir de 1930 que se deu início a chamada Era do Rádio no Brasil. O que se ouvia na rádio? Eram discutidos vários assuntos como hoje?
Não. Naquele tempo a gente ouvia na rádio, novelas, e lutas. Mas o rádio assim como a TV, eram aparelhos muito caros e por isso só as famílias mais ricas é que tinham. Muito tempo depois com a popularização deles é que as demais famílias foram adquirindo. Na minhacasa por exemplo, quando meu pai comprou um, minhas irmãs se reuniam na frente do aparelho para ouvir a novela. Na época, rádio-novela. Eu e meus amigos nos reuníamos em um bar para ouvir as lutas e comemorar os resultados.


Em 1950, foi ao ar a primeira transmissão de TV para o Brasil. O senhor se lembra dessa experiência, como foi?
Eu era muito pequeno nessa época, mas me lembro da primeira vez em que assisti. Foi fantástico! Não conseguíamos entender como aquilo era possível. Como uma pessoa poderia ficar dentro “daquela caixa”. Naquele tempo não podia passar nada do que passa hoje na televisão, não! A censura não permitia. Assim como o namoro acompanhado pelos pais, a TV não podia mostrar nada disso que meu neto pode ver, hoje. E as imagens que eram preto e branco, só mudaram para à cores na copa de 70.


A desigualdade social e a briga por posição de destaque na sociedade, ficou ainda mais evidente depois que essas novas tecnologias, como a internet, apareceram. O senhor acha que essa diferença continua aumentando?
Eu acho que sim, porque naquele tempo eram poucas as pessoas que tinham posses e podiam ter esse tipo de conforto. Hoje por mais que todos tenham acesso, ainda assim quem tem mais dinheiro, têm as melhores coisas.

Com a internet e as novas tecnologias as crianças tiveram mais acesso a assuntos que antigamente não tinham. Qual a sua opinião sobre isso?
Eu acredito que além de muitos benefícios, essas tecnologias tenham trazido muita coisa ruim também. Ganhou-se a agilidade e a variedade, mas perdeu-se o limite de muitas coisas. Hoje as crianças não brincam mais na rua, não se sujam, não descobrem o quintal de casa, mas sabem tudo sobre jogos, brinquedos caros e desenhos. Acredito que a criança tenha menos tempo para ser criança e mais tempo de vida adulta. Elas descobrem tudo muito rápido, querem apressar tudo e não sabem que a melhor parte da vida é essa e deve ser aproveitada, de forma mais natural. Isso é culpa dos pais também, que rendidos à tecnologia fazem dos filhos miniaturas deles próprios.

Recentemente saiu na internet uma notícia sobre mães que fizeram suas filhas colocarem na internet os castigos que receberam, por divulgarem fotos em que apareciam com bebida alcoólica. O senhor concorda com as atitudes dessas mães? 
Não concordo. Acho que se deve repreender em casa. Na rua ou na internet não é lugar de “lavar roupa suja”.

Desde 1944, muita coisa mudou. As novas tecnologias alteraram o comportamento das pessoas. Houve uma melhora em todos os sentidos durante esse período?
Olha, nem faz tanto tempo assim, mas acho que na minha época de criança e de jovem, era mais divertido. A gente conversava mais com os amigos, se reunia nos finais de semana para jogar bola ou ir aos bailes, mas tudo com responsabilidade porque as leis eram muito severas para quem “aprontasse”. Já hoje, eu vejo que a droga toma conta de muitas famílias, os jovens são mais despreocupados com o que podem ou não podem fazer... Cada um faz o que bem entende e são todos muito individualizados. Cada um por si. Perderam-se os valores, a compaixão e o respeito ao próximo. As pessoas hoje passam muito tempo na frente do computador e esquecem que as verdadeiras amizades se constroem pessoalmente.


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